JULIO VILLANI

Júlio Cesar Villani (Marília SP 1956). Não se vive entre dois continentes sem ter sua individualidade profundamente alterada. Julio Villani (1956) se formou entre São Paulo, onde cresceu, e Paris, onde forjou sua identidade de artista. Sua escolha deliberada por esse desdobramento e a forma construtiva que lhe imprimiu dão a sua obra uma dimensão dinâmica, que se determina, paradoxalmente, pela unidade. Onde outros seriam atingidos pela divisão e pela dispersão, Villani encontra matéria e motivo para concentração e reunião, abrindo uma vereda que segue à risca a obsessão de um olhar que busca revelar a face secreta das coisas.

Fio, linha, rede, nó... a arte de Julio Villani é habitada pela idéia de vínculo, de contraponto, às vezes de oposição; ela se constrói a partir da organização de um vaivém, de uma permuta — e é no âmago desta, nesse "entre-dois", que tudo se dá.

O problema da identidade, subjacente a seu procedimento, é apreendido por todo um trabalho em torno da memória. O processo de recuperação adotado por Villani e o tipo de reciclagem a que ele submete os objetos que integra é sua forma de realizar a conjugação de duas temporalidades com o objetivo de constituir uma nova.

Entre geologia e genealogia a distância é mínima : uma mesma dimensão palimpsesta caracteriza a idéia da sedimentação do espaço e do tempo. É por um processo análogo que a arte de Julio Villani se constitui e adquire corpo e raiz, independentemente de toda consideração de fronteiras, visando o surgimento de uma linguagem universal.

P. Piguet, trechos de « Julio Vilani : conectar o mundo », in « Julio Villani : It's [a ga]me », Ed. Bookstorming, Paris, 2010

Exposições individuais (seleção)
Chapelle de la Visitation, Thonon-les-Bains ; Caixa Cultural, Brasilia (2012) ; Musée Zadkine, Paris (2010) ; Paço Imperial, Rio de Janeiro (2009) ; SESC Santo André, Araraquara (2007); Habitat center, New Delhi ; Gallery 32, Londres (2006) ; Maison de l'Amérique latine, Paris ; Centre d'art contemporain10neuf, Montbéliard (2005) ; Casa França-Brasil (2004) ; CREDAC, Ivry-sur-Seine ; Paço das Artes, Sao Paulo ; Pinacoteca do Estado de Sao Paulo (2002) ; Musée de Dieppe (1999) ; Passage de Retz, Paris ; Museu de arte, Ribeirão Preto (1998) ; Musée de Beaux-Arts, Agen (1997)

Exposições coletivas (seleção)
Punto Linea Curva, Contemporaneo C.C. Borges, Buenos Aires (2011) ; Instalação Sonora 66 x 96, Paço das Artes, Sao Paulo ; Mão Dupla, Sesc Pinheiros, São Paulo (2008) ; Projections, Centre d'art contemporain10neuf, Montbéliard (2007) ; Passion et raison d'un esprit constructif : une conquête de l'art d'Amérique latine, Biarritz (2006) ; Don't call it performance, Museo del Barrio, Nova York (2004) e Centro de arte Reina Sofia, Madri (2003) ; Continental shift, Fondation Ludwig, Aachem ; City canibal, Paço das artes ; Col. Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte de São Paulo, (2000) ; Vivre Paris, Espace Electra, Paris (1999) ; 24 Bienal de Pontevedera, Espanha (1996) ; Eles desenham como pintam, MAM, Rio de Janeiro et MAM, Salvador (1994) ; Modernidade, Museu de arte moderna, São Paulo (1988) e Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris (1987) ; Desenhos jovens, Museu de arte contemporânea, São Paulo (1978).

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2010 - 130x194cm - "Architecture de Liane" - óleo e carvão s/ linho
Foto: Jaime Acioli